julho 06 2020 0comment

A escrava que sabia o que queria

Há alguns anos havia uma novela chamada ¨Força de um Desejo¨. Se você tem mais de 20 anos, como eu :), vai se lembrar da estória de Esther e Inácio. Na fazenda onde moravam havia uma escrava de nome Luzia, interpretada pela bela Isabel Fillardis. Ela tinha um jeito bem torto de fazer as coisas, mas uma coisa temos que admitir: ela sabia o que queria.

Desde o início ela sempre deixou claro que queria ser livre. Ela ainda não sabia como, mas nunca sequer passou pela cabeça dela que não seria possível. Enquanto não conseguia a quantia pra pagar a carta de alforria, ia juntando umas moedinhas aqui e ali. E muito antes do final da novela, ela conseguiu.

A maioria de nós procura seguir a ética pelo caminho, mas pra mim o que fica é: Luzia tinha um foco, e nunca se perdeu dele.

Por isso é que em Coaching falamos sobre o seu objetivo, e evitamos discutir os problemas que você tem hoje ou que vai enfrentar pelo caminho.  O que vai levar você a comprar a sua casa, emagrecer, conseguir o trabalho dos seus sonhos é o quanto deseja aquilo, e o quanto está se movimentando (ações) para consegui-lo.

Grant Cardone, em seu livro ¨10X – A Regra Que Faz a Diferença Entre o Sucesso e o Fracasso¨,  diz: ¨Se você falhou, é porque ainda não agiu o bastante¨.

Você pode (e deve!) fragmentar seu gol em partes menores. Assim, o gol parece mais possível e a carga mais leve. Por exemplo, escrever um livro parece impossível? Você pode começar escrevendo um artigo por dia e publicar em um blog para ir treinando, por exemplo. O que mais você precisa? Fazer um curso? Encontrar um revisor? Pesquisar? Entrevistar uma pessoa experiente e pedir dicas?

Liste tudo o que você precisa fazer em um papel, depois numere em ordem sequencial. E o importante é: se comprometa a agir. Um item da sua lista por semana, por exemplo. Uma moeda de cada vez.

Lembre-se: cada item ticado na sua lista é uma pequena vitória. Comemore! Reconheça o valor do seu esforço e o fato de você estar cada vez mais perto de conseguir o que quer.

Eu tenho visto isto cada vez mais na minha própria vida: quando você realmente quer algo, tudo se torna possível. Agir é a maneira de você mostrar para o Universo que está falando sério. Você dá alguns passos e o movimento começa a acontecer de forma quase miraculosa.

Mas você pode perguntar: ¨e quando, por mais que eu queira, não acontece?¨

Eu me lembro de um artigo que foi muito importante na minha vida, escrito pela Rosana Braga. Ela perguntava: ¨O QUE VOCÊ QUER? O que você REALMENTE quer? Pergunte-se e ouse responder.¨

Me lembro de ter lido essas linhas escritas assim, com letras maiúsculas, e sentindo um frio na barriga! MEDO. Medo de conseguir o que eu queria (sim, isso existe!), medo até de pedir.

No artigo ela propunha que pegássemos um papel e escrevêssemos o que queríamos, mas sem filtros. Não foi fácil. Eu peguei aquele papel várias vezes e não conseguia escrever. Como eu podia escrever que queria casar?? (¨Em 2013?? É esse o seu alvo na vida??¨). Que queria dinheiro?? (¨Mas você está estudando Filosofia! Depois de tudo isso o que você quer é dinheiro??¨). Mas quando eu finalmente consegui escrever, foi libertador.

Então, eu te pergunto, de que você está com medo? O que está te segurando?

Procure observar seus pensamentos. Eles estão te colocando mais perto do que você quer? Ou você está usando desculpas para não conseguir o que merece? Você quer entrar na Universidade? Quando você vê seu amigo que começou em Fevereiro, você diz: ¨ahhhh mas ele sempre teve apoio da família né¨, minimizando o esforço daquela pessoa, ou você procura ver como pode seguir o exemplo de pessoas que conseguiram?

Bom, e o que aconteceu com a Luzia quando se tornou livre? No mesmo dia arrumou um emprego numa pousadinha. Daí começou a achar que estava trabalhando mais do que quando era escrava ;). Mas isso é assunto para outro post.

junho 29 2020 0comment

O que faz você feliz?

Já ouviu falar sobre Marie Kondo? Ela está fazendo bastante sucesso com as suas dicas sobre organização. Eu mesma arrumei armários, guarda-roupas, e o seu método me convenceu a me desapegar de um monte de coisas que eu guardava como ¨lembrança¨, algo que eu nunca havia conseguido antes.

 

No seu livro ¨A mágica da arrumação¨, ela defende a ideia de que deveríamos deixar em casa só aquilo que nos traz alegria. Quando fazemos uma limpeza, pensamos: ¨por que quero jogar isso fora?¨. Talvez seja porque a camisa é grande, ou porque agora você quer um celular mais moderno.  Ela diz que na verdade, as perguntas corretas,  que vão realmente levar à uma transformação, são: ¨por que quero manter isto?¨ e ¨está me trazendo alegria?¨

 

Fiquei pensando em como podemos trazer isso pra nossa vida. Quantas coisas estamos carregando que já não fazem sentido e, principalmente, que não nos fazem felizes?

 

Eu me lembro de uma vez ter perguntado a um amigo: ¨você é feliz?¨, e ele respondeu: ¨felicidade é mesmo o objetivo da vida?¨

 

Bom, eu não sei qual é a sua filosofia de vida, querido leitor. Eu, por exemplo, acredito que enquanto estamos aqui precisamos evoluir, nos tornar melhores, nos conscientizar sobre nós mesmos, sobre o próximo, sobre o nosso entorno. Mas enquanto eu estiver fazendo isto, eu quero sim, ser feliz!

 

Se você também quer,  talvez seja hora de se desfazer de algumas coisas que você traz pelo caminho. Talvez você já tenha se apercebido delas, talvez não.

 

1) As suas ¨lembrancinhas¨ do passado

Sim, você é o que é por causa do seu passado. Mas se apegar a ele, está te fazendo bem? Está te ajudando a conseguir seus objetivos? Quando você se lembra de um evento ou um certo alguém do passado, você sorri? Se não, estaria na hora de colocar essa lembrancinha no saco de lixo?

 

2) Comportamentos

Talvez a vida tenha te ensinado a ser mais “seco”, a levar as coisas a ferro e fogo, talvez até a ser rude. Mas você ainda precisa desses comportamentos? Você está se beneficiando deles? Está ajudando nas suas relações, sejam elas de trabalho ou pessoais? Os seus comportamentos fazem outras pessoas sorrirem?

 

3) Pensamentos

O Eme Viegas, que junto com a Jaque formam o Casal Sem Vergonha, outro dia disse: ¨o stress é excesso de passado,  e a ansiedade é excesso de futuro¨. Achei essa frase fantástica.

Fala-se muito em mindfulness (consciência plena), que nada mais é do que estar no presente. Parece óbvio, mas é difícil. Nós normalmente estamos com o pensamento no que pode acontecer, no que já aconteceu, e não no que está acontecendo.

 

Uma das dicas que ele e a Jaque deram para lidar com isso é assistir o pensamento. Você percebe: ¨ah, estou preocupado com alguma coisa que nem sei se vai acontecer de novo?¨, ok, e simplesmente deixa o pensamento ir.

 

Essa dica tem me ajudado muito a não me julgar o tempo todo, não analisar o tempo todo.

 

4) Expectativas

Tem um vídeo do Mario Sergio Cortella em que ele diz que a fórmula da Felicidade é:

 

Felicidade = Expectativas – Realidade

 

Felicidade é a diferença entre o que você espera acontecer, e o que realmente acontece.

 

Que tal diminuirmos nossas expectativas?

 

Se o seu marido te traz flores e você não está esperando, você vai ficar feliz. Agora, se você está esperando uma jóia, um buquê de flores não parece muito, não é? 🙂

 

5) ¨Não¨ gratidão

 Em inglês existe um termo incrível, que é o ¨take for granted¨. É quando você vê algo como garantido, ao invés de ver como uma benção. Andar, por exemplo. A gente nem pensa nisso, mas não é ótimo poder andar?

 

Não estou pregando o conformismo ou o jogo da Pollyana, mas que tal olharmos à nossa volta e ficarmos gratos pelo que temos?

 

Eu sei que é difícil fazer isso na atual situação, com crise e tudo mais, mas com certeza pensar nisso pela manhã vai te fazer começar o dia com o olhar muito mais positivo e esperançoso.

 

6) Não ver suas qualidades

Além de pensar em saúde, uma cama pra dormir, já parou pra pensar em quantas habilidades você tem, as quais você nunca percebeu? Talvez você seja um bom ouvinte, cozinhe bem, seja generoso. Agradeça! Se tiver dificuldades para pensar nas suas qualidades, pergunte a um amigo, à sua esposa. Você vai se surpreender.

 

E aí, que tal dar um ¨Marie Kondo¨ na sua vida e deixar só o que te faz feliz? 🙂

maio 04 2020 0comment

Você sabe quais são seus valores?

¨O homem vive, toma partido, crê numa multiplicidade de valores, hierarquiza-os e dá assim sentido à sua existência mediante opções que ultrapassam incessantemente as fronteiras do seu conhecimento efetivo.¨ – Jean Piaget

 

Vejo muitas pessoas utilizando ferramentas de autoconhecimento e quanto mais elas se conhecem, mais sofrem. Não deveria ser assim. A verdade liberta. É isso: a verdade sobre nós mesmos deveria ser libertadora.

 

Muitos entendem valores como características pessoais. Nós, Coaches, entendemos como os critérios que vão ajudá-lo a tomar decisões na vida.

 

Alguns valores são fáceis de reconhecer: honestidade, generosidade, tolerância. Outros são um pouco mais sutis, eu nunca definiria ¨amor pela beleza¨, por exemplo, como um valor. Meus ex namorados, por exemplo, nunca foram especialmente bonitos. Mas ao fazer um exercício o amor pela beleza veio como um critério forte para mim. E quando eu penso nas minhas escolhas no passado, vejo que isso teve um peso grande em minha vida, como a escolha do lugar para morar, e tudo o que veio com isso, pagar mais para morar num lugar melhor, guardar menos dinheiro etc.

 

Te proponho fazer um exercício agora: tire 5 minutinhos e pense sobre os seus valores. O que é importante pra você? Sem se julgar, sem pensar no julgamento alheio. Você quer que todos sejam tratados com justiça? Você é espontâneo? interessado? independente? perdoador? Liste pelo menos 20 valores, e lembre-se, não é o que você gostaria de ter, mas o que você efetivamente tem.

 

Depois, tente diminuir essa lista para 5 valores essenciais, primordiais. E por último, tente numerar estes 5 em ordem de prioridade. Como fazer isto? Tente pensar em algumas situações em que dois diferentes valores precisam ser usados. Você tem um emprego que oferece estabilidade, e outro que paga melhor (segurança, status). Qual dos dois você escolhe?

 

Vamos supor que você tenha como valores a criatividade e a segurança. Alguém te oferece um trabalho para pintar um mural externo, mas é no 30º andar de um prédio. O que tem um peso maior? Criar ou o risco?

 

Quando você tiver esta lista pronta, pense em como ela se aplica na sua vida. Que escolhas você fez no passado que refletem os seus valores? O que hoje pode estar te incomodando porque está indo contra eles? Que escolhas você pode fazer na sua vida para que ela reflita mais os seus valores? Como você pode trazê-los para diferentes áreas da sua vida (trabalho, relações, saúde, meio)?

E daí pra frente, sempre que você tiver uma decisão a tomar, pense nos seus valores. Respeite-se e seja mais feliz!

 


Dulcineia Sañtos é Life Coach, certificada pelo NeuroLeadership Group em Londres.

www.dulcineiasantos.com

abril 06 2020 0comment

O que aconteceu com o fazer nada?

Diante de tanta conversa sobre aproveitar melhor o tempo, 10 rotinas de pessoas bem sucedidas, não procrastinar etc. e, embora eu realmente faça uso dessas dicas, venho me perguntando: será que todo o nosso tempo precisa ser preenchido com algo produtivo?

Não estou nem sequer falando sobre ócio criativo, porque pra mim esse termo por si só pressupõe que mesmo se você ficar parado, precisa ter por finalidade conceber algo brilhante ao final do seu fazer nada.

 

Estou falando sobre sentar e assistir televisão sem se sentir culpado porque o programa não é culto o bastante e você não aprende nada com ele. Sobre sair e passear no parque sem se culpar porque você não está lendo os seus emails ou porque a casa não está limpa. Sobre dormir até o olho abrir. Sobre ler um romance.

 

Pode parecer que eu estou me contradizendo, mas em primeiro lugar, as coisas que escrevo também são para auto reflexão. Segundo, eu acho que existem dois tipos de conversas sobre tempo: uma quando você realmente quer fazer mais e não sabe como (e aí sim você vai aproveitar as dicas sobre o assunto), e outra que vou chamar de ¨simplesmente estar¨.

 

Vou dar um exemplo: eu sou fã da Pedagogia Waldorf. É um método de ensino que respeita profundamente o ritmo da criança, o seu modo preferido de aprender e o seu tempo de aprender. As crianças aprendem de forma muito orgânica, utilizando elementos do seu entorno e da natureza (terra, madeira), e o aprender se dá brincando, escutando estórias etc. Neste ambiente o brincar tem uma finalidade. Mas quando foi que a criança passou a ter (em casa) a obrigação de brincar com uma finalidade? Quando entrou a patrulha dos brinquedos de madeira, do não poder isso e aquilo, de ser produtivo até mesmo para as crianças?

 

O filósofo Bertrand Russel, no seu livro ¨O elogio ao ócio¨, diz: ¨Se o assalariado comum trabalhasse quatro horas por dia, haveria bastante para todos, e não haveria desemprego – supondo-se uma quantidade bastante modesta de bom senso organizacional. Essa idéia choca as pessoas abastadas, que estão convencidas de que os pobres não saberiam o que fazer com tanto lazer

 

Não quero entrar aqui numa discussão social sobre o papel da elite e da Revolução Industrial sobre a produtividade. O que me interessa é: será que nós sabemos o que fazer quando temos tempo livre? Será que sabemos aproveitá-lo – não no sentido de ¨tornar proveitoso¨, mas no sentido de apreciar, desfrutar?

 

Em outro trecho do livro, Russel diz, ironicamente: ¨´É verdade que meu corpo precisa de horas de descanso, que procuro preencher da melhor forma, mas meu maior prazer é ver raiar o dia para poder voltar ao trabalho, que é a fonte da minha felicidade.’ Nunca ouvi nada do gênero saindo da boca de nenhum trabalhador.¨

 

É claro que estamos falando de um livro publicado em 1939, mas as pessoas para quem essa frase não soa tão irônica, estão sim começando a procurar modelos diferentes de trabalho, que lhes permitam ter mais tempo para viajar, para contemplar e sobre o qual possam dizer: ¨amo o que eu faço¨. Elas passaram a perceber que o trabalho pode sim ser prazeroso e que o controle da quantidade de tempo dedicado ao trabalho pode ser seu. Veja, por exemplo, os Nômades Digitais.

 

Como Coach o que é importante pra mim é que você, primeiro, esteja consciente do que você quer. Se você quer que seu tempo seja produtivo, então eu posso ajudá-lo com ferramentas para isso. Se você quer ter mais tempo livre (e escolher o que fazer com esse tempo, seja estudar, ficar com a sua família ou fazer nada), ok, posso ajudá-lo a alcançar isso. Mas a pergunta é: o que você quer? E a segunda reflexão é: por  que você quer? Foi sua escolha? Você se viu obrigado a fazer algo pelas circunstâncias da vida? Ou por que se comprometeu (ainda que consigo mesmo) a fazer algo e agora não quer voltar atrás? Se você perceber que realmente não escolheu, ou que escolheu mas agora não faz mais sentido, vamos explorar as opções porque, acredite, quase sempre existe outra opção. E se você escolher fazer nada, que fique em paz com isso.

 

Que tal experimentar ¨simplesmente estar¨ no próximo final de semana e compartilhar como foi pra você?

 


Dulcineia Sañtos é Life Coach, certificada pelo NeuroLeadership Group em Londres.

www.dulcineiasantos.com