novembro 08 2018 0comment

Para o que você está dizendo não?

By Dulcineia Sañtos

Esta semana eu propus a um amigo que ficássemos uma semana sem dizer ¨não¨.

A coisa começou porque eu notei que a minha primeira reação é dizer ¨não¨, especialmente para coisas novas, desconhecidas. Aliás, eu começo frases com ¨não, mas¨. Não, mas eu quero mesmo é escrever todos os dias. Não, mas eu tenho certeza que vai dar certo.

Já notou quantas vezes dizemos ¨não¨ todos os dias? Para as crianças, para o parceiro, para o cliente, para nós mesmos.

Às vezes é necessário, eu sei. Mas às vezes falamos ¨não¨ pelo hábito mesmo. Eu me lembro de ver a filha de uma amiga pedindo para brincar no quintal, e ela disse: ¨não¨. Quando a criança saiu, eu perguntei: ¨É Domingo, está sol. Por que ela não pode brincar? Está de castigo?¨ Ela ficou olhando pra mim e nós começamos a rir, porque não havia motivo nenhum para ela não deixar a criança brincar.

E mesmo quando há um motivo, não haveria outras maneiras de dizer a mesma coisa? Muitas vezes não é sobre o que é dito, mas sobre como é dito. Carol Nalon, que trabalha com Comunicação Não-Violenta, fala muito sobre a empatia, e como é importante mostrar que entendemos a dor daquela pessoa. Ao invés de dizer ao seu cliente: ¨não é possível te reembolsar¨, que tal mostrar empatia e explorar possibilidades, ao invés de dificuldades? : ¨Sinto que este produto não atendeu às suas necessidades, esse tipo de coisa é realmente frustrante. Mas que tal efetuarmos um crédito para que você possa adquirir outro produto?¨

E quando dizemos ¨não¨ para nós mesmos? Às vezes é difícil reconhecer que você está fazendo isso. Você está reclamando que está sem namorada, por exemplo. Então vem o seu amigo e te convida para um almoço com vários amigos, uma oportunidade perfeita para conhecer gente nova. E você diz não.

A pergunta que eu realmente quero fazer pra você, no entanto, é: quando você diz não para isto, para o que está dizendo sim?

No exemplo acima: pode ser que no fundo, você goste de ser livre. Quando você diz não para a possibilidade de conhecer gente, está dizendo sim para as suas noites livres, para não dar satisfação à ninguém.

Como não estamos muito habituados a pensar assim, vou dar outro exemplo: você diz que quer mudar de carreira, mas não pensa ou procurar alternativas. Quando você diz não para uma nova carreira, pode estar dizendo sim para a sua zona de conforto, para um status que talvez você já tenha adquirido na carreira atual, para o desânimo de entrar numa sala de aula novamente para fazer um curso relacionado àquela carreira.

Te convido a aceitar o desafio e ficar algum tempo dizendo ¨sim¨. Para convites, para possibilidades, para gente que pensa diferente de você. Você pode começar aos poucos, com um dia por semana, por exemplo, e ir aumentando.

De minha parte, posso dizer, passados 3 dias do início do meu desafio, que quando você diz sim para a vida, a vida diz um SIM enorme pra você! 😉


Dulcineia Sañtos é Life Coach, certificada pelo NeuroLeadership Group em Londres.

www.dulcineiasantos.com

abril 17 2018 0comment

Desistir também faz parte do processo

Por Dulcineia Sañtos

O site Business Insider publicou esse maravilhoso artigo (em inglês, aqui) sobre Ellen Chisa, a VP do app de viagens Lola. No artigo ela descreve como foi importante para o seu sucesso optar por se demitir de bons empregos, ou de desistir de Harvard, depois de um ano de curso.

Muitas vezes encontro pessoas que estão absolutamente infelizes, mas que se agarram no fato de que o emprego é seguro ou que determinada situação (faculdade, casamento) traz status, ou, simplesmente, porque tem medo do que não conhecem.

Querer segurança é normal e compreensível, mas chega uma hora em que, para alguns, não há outro caminho senão escolher entre o que conhecem e um mundo cheio de possibilidades.

Alguns pontos que achei interessantes no artigo e que podem ajudar na sua reflexão:

  1. a) “Ela não sabia o que queria levar da experiência em Harvard, com isso não sabia como priorizar suas aulas. Estava faltando contexto.” (tradução livre).

Primeiro: você sabe onde quer chegar e o que quer obter da sua experiência atual? Sabe por que está fazendo o que está fazendo? Você entrou na faculdade de Direito porque já trabalhava num escritório de advocacia ou foi consciente, de forma ativa, feita a partir do desejo  do seu coração?

Segundo: Quando você percebe que sua performance não está ao seu contento (como não saber como priorizar as aulas), isto pode sinalizar que está faltando algo. Seu emprego pode ser o melhor do mundo, mas precisa fazer sentido para você.

Faça uma lista do que é importante pra você nesse momento e tente ver como o seu emprego (curso, relação afetiva) se encaixa nisso, e não o contrário.

  1. b) ¨Ela sempre poderia voltar a Não haveria outra oportunidade de aproveitar este estágio do Lola novamente.”

¨Só não existe jeito pra morte¨. Uma maneira de te ajudar a tomar uma decisão é pensar em qual seria o pior cenário, e então, considerar alternativas caso isso aconteça.

É muito raro que a realidade seja tão medonha quanto tendemos a achar que é, mas se o pior acontecer, o que você poderia fazer? Estar preparado para isto pode ajudá-lo a superar o medo de se arriscar.

Por exemplo, se você trocar de emprego e não passar no período de experiência, qual a sua alternativa? Usar suas reservas? Contar com o suporte do seu parceiro por uns meses? Ou ainda, qual a garantia que você tem que não será demitido do seu emprego atual nos próximos 3 meses?

  1. c) Verifica-se que é possível saber demais. Quando você se vê muito acostumado em um papel, começa a desenvolver pontos cegos. Você pode saber intuitivamente que algo está errado, mas você não será capaz de ver soluções verdadeiramente originais.” (tradução livre).

 A sua mente está na zona de conforto e nada mais o desafia. Isso pode ser altamente desestimulante. E uma das razões para considerar que talvez seja hora de começar de novo.

O que eu vejo em algumas pessoas é o medo de dar um passo atrás. Eu sempre me lembro da minha Coach dizendo: ¨para o corredor dar o impulso, ele precisa dar uns passos para trás¨.

Tente fazer este exercício: feche os olhos e se imagine sobrevoando sua vida atual dentro de um helicóptero. Observe as sensações, os sentimentos, as pessoas à sua volta, o mundo à sua volta. Você está sorrindo? Agora faça o mesmo, mas sobre a vida que você gostaria de ter. Como seria viver tendo suas capacidades realmente aproveitadas? Como seria trabalhar num lugar em que as pessoas acreditassem no seu potencial?  Como seria fazer o que você ama?

  1. d) Cheque se sair é realmente a opção

Algumas perguntas que ela sugere:

  • Estou aprendendo coisas novas? A culpa é minha ou da minha empresa?
  • Eu discordo da forma que meus colegas de trabalho fazem as coisas? Se sim, eu tenho tentado verdadeiramente mudar suas mentes?
  • Eu acredito na liderança aqui?
  • Eu me sinto bloqueado, e em caso afirmativo, por que existem essas barreiras?
  • Eu dei tempo suficiente para me ajustar? Aprender? Para encontrar os defensores / mentores / professores / aliados adequados?
  • Será que é só o fim da lua de mel e o começo do trabalho real?

 

  1. e) ¨Se suspeitar que você quer parar em algum momento (mesmo que num futuro distante), estabeleça um prazo para si, para dar um passo atrás e refletir

Esta é uma ótima alternativa e pode tirar um peso das suas costas enquanto você tem tempo para fazer o que for necessário (juntar dinheiro? mais experiência?). Mas leve o prazo a sério.  E procure se dar pequenas recompensas pelo caminho: viagens de final de semana, um bom jantar uma vez por semana, qualquer coisa que ajude seu cérebro a entender que o esforço vale a pena. E tente conseguir o máximo durante esta experiência.

 

  1. f) Quando você se dá permissão para dizer não para tudo aquilo que não te atrai de verdade num nível instintivo por um período de avaliação experimental, você começa a reconhecer padrões.

 

Dizer “não” revela confiança em si mesmo, em seus valores, o valor que você dá ao seu tempo. Como dissemos neste artigo, uma das coisas que vai te ajudar a saber para o que dizer não, é estar consciente do seu propósito.

 

  1. g) “Quando você tiver 70 anos, como vai se sentir por não ser realizado, seja lá o que for?

 Sem arrependimentos. Cada passo do seu caminho tem um valor – pode ser apenas aprender uma lição. Eu me lembro de assistir a uma palestra sobre empreendedorismo uma vez, e o palestrante disse: ¨Eu não fali 5 vezes. Cada vez eu aprendi o que não fazer para que hoje o meu negócio seja um sucesso¨.

Bônus:

  1. h) Leia sobre a vida de pessoas que você admira e inspire-se! Aprenda as lições e use para chegar lá. Sucesso!
agosto 28 2017 0comment

É possível saber demais?

Por Dulcineia Alcock

Como você sabe que sabe alguma coisa? É possível ter 100% de certeza sobre um conhecimento?

A Epistemologia é um ramo da filosofia dedicado a essa resposta. É o estudo do conhecimento e das crenças.

Mas, como você sabe se é hora de atualizar o que você acha que sabe e faz bem o suficiente?

Antes de entrar neste assunto, é importante revisar o que Noel Burch criou como os Quatro Estágios da Competência (ou Quatro Estágios da Aprendizagem) nos 1970s. Se você já conhece essa teoria, pode ir para o próximo título abaixo.

 

A teoria

Esta teoria esclarece a forma como aprendemos. Saber isso é útil porque quando você sabe com que emoções tem que lidar durante os estágios da aprendizagem, pode lidar melhor com elas, evitando desânimo e hesitação.

Já que há tanto material na Internet sobre o assunto, vou descrever brevemente os quatro estágios.

  1. Incompetência Inconsciente

Eu não sei que não sei

Exemplo: Eu pensar que as pessoas publicam coisas na Internet apenas pra compartilhar, até aprender sobre os princípios de marketing :).

  1. Incompetência Consciente

Eu sei que não sei

Você vai para a sua primeira aula de direção e começa a ver o quanto tem que aprender.

Esta fase pode trazer uma falta de confiança, autojulgamento e frustração. Este é o ponto em que muitas pessoas tendem a desistir.

Coaches e professores têm um papel importante neste momento, já que podem motivar, ajudando a pessoa a mudar sua visão para a meta em vez do problema. Além disso, prática e repetição são necessárias.

  1. Competência Consciente

Eu sei que eu sei

Agora você aprendeu a dirigir, mas ainda está atento a cada passo que você tem que dar para manter o carro em movimento.

  1. Competência Inconsciente

Eu não sei que eu sei

Este é a fase em que você está confortável dirigindo. Você pode dirigir e falar, e nem sequer pensa no que está fazendo.

Todos estes níveis de aprendizagem envolvem confiança e habilidade: quando um falta, o outro é necessário.

Possível 5ª Etapa

  1. Competência Consciente da Competência Inconsciente

Este estágio não foi originalmente pensado por Burch, mas tem sido discutido por especialistas, e eles têm variações na forma como eles entendem.

Pode envolver ensinar a outros o que você já dominou (como assobiar, por exemplo), e estar ciente das limitações da outra pessoa, bem como da didática necessária para explicar algo que você faz automaticamente.

Lembro-me de uma vez em uma aula de Filosofia em inglês, em que eu estava questionando uma frase. Meu professor e colegas vieram com todos os argumentos filosóficos possíveis, até que alguém percebeu: “Você sabe que em inglês a palavra “for” (por, para) também pode ser usada como” porque “, certo?

Ou seja, ninguém na classe poderia imaginar que esta era a minha dúvida, porque o uso dessa linguagem para eles estava no domínio da competência inconsciente.

Esta fase também pode ser aplicada a um nível de conhecimento onde você não pode sequer imaginar que é capaz de fazer algo melhor do que você faz. Businessballs publicou um artigo muito bom sobre isso, fornecendo as opiniões de muitos especialistas sobre o que eles entendem que é o 5 º nível.

A ignorância incapacitante de Peter Druck

Na etapa nr. 30 dos 67 Steps, Tai Lopez fala sobre os pensamentos de Peter Druck sobre “identificar as áreas onde a arrogância intelectual causa ignorância incapacitante”.

Voltando ao tema deste artigo: quando você sabe que é tempo para abandonar suas crenças, seus conceitos, coisas que você domina, e abrir-se a novos conhecimentos e experiências?

Claro que não há uma resposta certa para esta pergunta que se encaixa a todos, mas eu diria que a conscientização é a principal ferramenta aqui. E todos nós temos o instinto para saber quando algo não está certo.

Eu acho que isso exige uma certa dose de humildade também – o momento em que você diz: “Ok, meu jeito não é mais o melhor”, ou dizer: “preciso de um mentor”.

Lopez falou em outra lição sobre a importância de mudar antes que seja tarde demais.

Uma das 25 Tendências Cognitivas introduzidas por Charles Munger é a consistência, que se refere à nossa relutância em mudar. Este comportamento serviu aos nossos antepassados para, entre outras coisas, evitar a inconsistência e poupar energia, mas não nos serve mais hoje.

Agora que o ano está chegando ao fim, este poderia ser um bom exercício. O que você precisa rever? O que você percebe que não conhece bem ou não domina? Que crenças não estão servindo seus melhores interesses mais?

Na verdade, quando foi a última vez que você verificou suas crenças?

Se quiser verificar como um Coach pode ser útil em relação a isto, entre em contato neste link.

Aqui você pode se inscrever para receber o meu boletim informativo com artigos semanais.

Clique aqui para continuar a ler outros artigos sobre os 67 Steps – Uma Viagem para Reprogramar o Seu Cérebro.

 


Dulcineia Alcock é Life Coach, certificada pelo NeuroLeadership Group em Londres.

info@highpeakcoaching.com

julho 27 2017 0comment

Onde você tem encontrado o seu MOTIVO para AÇÃO?

Por Dulcineia Alcock

Este final de semana tive uma conversa interessante com o meu marido sobre a palavra “motivação“. Ele está lendo um livro que defende que o que frustra as pessoas em seus trabalhos é a ausência de um “porquê“. A maioria das pessoas trabalha apenas em função do “o que” e do “como“.

Mencionei a origem da palavra motivação: motivo para ação. A própria palavra “motivo” já tem inserida a coisa do movimento, do motor. O que move alguém a agir, a fazer o que faz?

Ele me lembrou que a motivação não é necessariamente uma palavra positiva: você pode ser movido pela ameaça de um desemprego, pela pura necessidade  de pagar as contas, pelo medo. Num sentido positivo, você pode ser movido pela possibilidade de uma promoção, gostar do trabalho, por comprometimento.

Eu o lembrei que a motivação pode ser externa – quando um fator “fora” de você o estimula a ação: a pressão do chefe, a escola das crianças. Ou pode ser interna: atingir a excelência, amor por uma atividade, superação. E aí ele resolveu chamar a motivação interna de inspiração.

Com essa diferenciação em mente, eu te pergunto: o que te inspira?

Se você  refletir e descobrir que se levanta todas as manhãs unicamente por causa de uma motivação externa, ótimo, já é um começo. Mas é provável que você não se sinta completamente pleno.

Não que alcançar objetivos movidos externamente não traga uma certa realização: um pai que lê este artigo pode argumentar que se sente realizado por ter possibilitado uma faculdade aos seus filhos, por exemplo. Mas eu falo de uma plenitude interna e pessoal.

Há pessoas que conseguem trazer isto para o seu trabalho: trabalham com o que as inspira. Há aqueles que conseguem imprimir um significado para o trabalho que realizam, de forma que encontrem inspiração nele. Mas você pode também encontrar inspiração em outras coisas paralelas ao seu trabalho, e que vão aumentar essa sensação de plenitude – muitas pessoas encontram isso no trabalho voluntário, por exemplo.

Alguns inspiram-se ao inspirar outras pessoas: ser mentor de um colega com menos experiência,  ou “adotar” um jovem criado pela mãe, sendo uma figura paterna com quem ele pode contar.

Você pode ser inspirado por um valor, por exemplo: no meu caso, a liberdade. Ela serve de critério para as minhas escolhas.

Se você não sabe nem por onde começar, a escritora Brené Brown sugere um exercício: faça uma lista das coisas que são importantes pra você. Ela fez isto com a sua família e descobriu que nada que ela poderia adquirir, comprar, estava na lista.

Você vai descobrir que sua inspiração provavelmente não venha de coisas que estão sempre lá na frente – “quando eu emagrecer, quando eu me formar, quando eu pagar a casa”, e que quando chegam, trazem uma alegria momentânea porque daí você precisa “tonificar, fazer o mestrado, comprar uma casa maior”.  Você já tem tudo o que precisa para agir, e pode encontrar inspiração no que você já faz – só precisa se dar conta disto.


Dulcineia Alcock é Life Coach, certificada pelo NeuroLeadership Group em Londres.

info@highpeakcoaching.com