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O fantasma do “propósito” está te atormentando?

Por Dulcineia Alcock

Só esta semana eu tive três conversas com pessoas diferentes sobre a sua luta na busca por um trabalho com propósito. Essa é uma questão que vem assombrando muita gente já há algum tempo.

Por um lado, isto mostra a evolução da consciência. Mostra que as pessoas não estão mais se contentando em trabalhar como autômatos: entrar no escritório, bater cartão, ganhar o salário. Elas querem fazer diferença, querem ter claro qual é o seu papel na evolução do mundo, e querem fazer isso com liberdade.

Por outro lado, isto está trazendo mais frustração. Simplesmente mudamos o foco da angústia: passamos de trabalho sem propósito para encontrar um propósito.

As pessoas estão procurando por respostas e por gurus, lendo, fazendo cursos, gastando dinheiro e saindo sem resposta.

Eu também me debati durante muitos anos com isso: o trabalho que “deveria” dar propósito à minha vida não estava cumprindo o seu papel. Eu me frustrava também por não conseguir ajudar outras pessoas na busca pelo seu próprio propósito.

Até que apareceu o livro do Eckhart Tolle, O Poder do Agora, e uma frase acendeu uma luz. Em uma conversa com outra pessoa sobre o assunto, ele diz:
“seu proposito é se sentar aqui e conversar comigo, porque é isso que você está fazendo agora”. E eu me senti livre.

O segredo do sucesso desta frase está em sua simplicidade, em quão direta ela é – nada de: “a resposta está dentro de você, Lucky” – mas principalmente na realização de que o propósito está no presente, não no futuro.

Nós ficamos “buscando” um trabalho com propósito, ao invés de olharmos o que temos hoje – nossos dons, nossas possibilidades e nossa realidade presente, muitas vezes abençoada, mas tão ignorada por nós porque estamos com os olhos no futuro.

Nós buscamos um trabalho com propósito ao invés de colocarmos propósito em seja lá o que estamos fazendo: contabilidade, cuidar das crianças, almoxarifado, dirigir uma empresa, estudar, bloggar, não importa.

A outra coisa é o quão obcecados ficamos em achar que o propósito está obrigatoriamente ligado ao trabalho. É aquela coisa de apostar todas as fichas no mesmo cavalo, e aí quando ele fica uma cabeça pra trás, está lá você perdido de novo.

Você pode achar um hobby com propósito. Um trabalho voluntário com propósito. Um estudo com propósito. Ser um artista, um palhaço com propósito. Ter uma conversa com um amigo com presença e propósito. Escrever sobre o que pensa com propósito. Limpar a casa com propósito: o de prover um lugar aconchegante pra você e pra sua família.

Quer uma coisa mais próxima do seu espírito, da sua essência, do que fazer uma pequena ação que te faça sentir que fez a diferença, que te faça sentir pleno? Por que isso não é considerado propósito? Por que o seu propósito tem que durar 8 horas diárias? Por que o seu propósito tem que pagar suas contas? Por que tem que ser uma coisa só?

Aliás, o que significa propósito pra você? Esqueça a definição do dicionário, ou o que você leu no site do Prem Baba. O que daria sentido à sua vida? O que você gostaria de fazer que põe um sorriso imenso no seu rosto quando você pensa a respeito, antes do medo tomar conta ou de você pensar “o que vão pensar de mim”? Como você se sentiria quando fizesse?

A escritora Brené Brown diz que ela quer ser: “inspiradora, contemplativa e criativa”, e que usa isso como critério pra escolher as coisas que ela quer fazer.
Faça a sua lista.

Vai aí uma fase do teólogo Howard Thurman, pra te inspirar: “Não pergunte do que o mundo precisa. Pergunte o que te faz sentir vivo, e vá fazer. Porque o que o mundo precisa é de gente que se sinta vivo”.

Chega de zumbis.


Dulcineia Alcock é Life Coach, certificada pelo NeuroLeadership Group em Londres.

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