setembro 27 2017 0comment

Vamos falar sobre a vergonha?

Por Dulcineia Alcock

Pense numa situação em que você tenha sentido vergonha, uma situação atual ou da sua infância, não importa. Você ainda fica corado? O que acontece no seu corpo? Como você se sentiu? inadequado? deslocado? Como isto ainda afeta a sua performance, a sua criatividade? Prefere não falar sobre o assunto?

A escritora Brené Brown, que fez uma pesquisa intensiva sobre vulnerabilidade, descreve a vergonha como sendo o medo de romper um vínculo.

Eu ainda consigo me lembrar de uma negociação com um novo cliente, que vinha me tratando muito bem, até o momento em que ele perguntou: “você fala inglês, certo?” e eu disse que não. Eu podia ver a decepção nos olhos dele, e ele repetiu a pergunta mais uma vez: “você não fala inglês?!”, na frente do meu chefe. Mesmo hoje, falando inglês fluentemente, posso me lembrar do que senti aquele dia – meu rosto queimava. Havíamos nos desconectado e eu não merecia mais a sua admiração.

Nós agimos com o objetivo de suprir nossas necessidades de amor e aceitação, mesmo que não nos demos conta disto num nível consciente. Quando sentimos vergonha, o que está por trás é que acreditamos que não somos mais merecedores de amor e aceitação. Passamos a acreditar que não somos suficientes – bons o suficiente, magros o suficiente, competentes o suficiente.

A vergonha acontece no cérebro límbico, responsável pelas nossas emoções. Para você ter uma ideia da importância de falarmos sobre ela, estudos mostram que a rejeição social estimula as mesmas áreas do cérebro que são ativadas quando sentimos a dor física – ser rejeitado, dói. Sentir vergonha, dói.

Brown faz um paralelo entre a vergonha e a culpa: na culpa, achamos que fizemos algo errado. Na vergonha, achamos que somos errados.

Quais seriam, então, algumas maneiras de lidar com a vergonha e atenuar os seus efeitos?

Bom, o primeiro passo é exatamente o que estamos fazendo aqui – falar sobre ela e entender seus mecanismos. A cada vez que tentamos suprimir um sentimento, o fortalecemos. O que é suprimido fica inconsciente, cresce e é muito mais difícil lidar.

A escritora Julia Cameron, autora do livro “O Caminho do Artista” expressa a importância de compartilhar o que acontece com as pessoas certas – pessoas que oferecerão suporte e empatia.

Um outro passo é mapear a vergonha para reconhecê-la, usando as perguntas feitas no primeiro parágrafo deste texto.

No momento exato em que você sente vergonha, poderá usar um exercício de Neurociência que o ajudará a sair do cérebro límbico e voltar para o neocortex: pense em algo prático: números, planilhas, conte os dias da semana. Encontre uma palavra que poderá dizer a si mesmo quando sentir que entrou neste estado, e use-a como uma espécie de amuleto.

De novo: não suprima o sentimento – simplesmente entre em um estado em que você será capaz de investigar o assunto com certa distância, entendendo o que realmente desencadeou aquela reação. Quando agimos sob a influência do cérebro límbico, entramos em estado de alerta (lutar, fugir, congelar), e a vergonha poderá desencadear outras reações indesejadas, como a agressividade, por exemplo, daí a importância de saímos do estado emocional.

Cameron diz que os antídotos para a vergonha são o amor próprio e o autoacolhimento. Trate a si mesmo como trataria um amigo na mesma situação: com compaixão e entendimento.  Diga a si mesmo que vai ficar tudo bem, e lembre-se de tantas outras vezes em que você foi bem sucedido naquela ou em outra situação.

Lembre-se: mostrar-se vulnerável, ao invés de enfraquecê-lo o fará forte e estabelecerá conexões com as outras pessoas. A vergonha é uma emoção inerente a todos nós, você não está sozinho. Ao contrário, você poderá ajudar outras pessoas ao compartilhar as suas histórias.

Como disse Brown, “nós não somos perfeitos, mas somos suficientes”.

 


Dulcineia Alcock é Life Coach, certificada pelo NeuroLeadership Group em Londres.

info@highpeakcoaching.com

agosto 28 2017 0comment

É possível saber demais?

Por Dulcineia Alcock

Como você sabe que sabe alguma coisa? É possível ter 100% de certeza sobre um conhecimento?

A Epistemologia é um ramo da filosofia dedicado a essa resposta. É o estudo do conhecimento e das crenças.

Mas, como você sabe se é hora de atualizar o que você acha que sabe e faz bem o suficiente?

Antes de entrar neste assunto, é importante revisar o que Noel Burch criou como os Quatro Estágios da Competência (ou Quatro Estágios da Aprendizagem) nos 1970s. Se você já conhece essa teoria, pode ir para o próximo título abaixo.

 

A teoria

Esta teoria esclarece a forma como aprendemos. Saber isso é útil porque quando você sabe com que emoções tem que lidar durante os estágios da aprendizagem, pode lidar melhor com elas, evitando desânimo e hesitação.

Já que há tanto material na Internet sobre o assunto, vou descrever brevemente os quatro estágios.

  1. Incompetência Inconsciente

Eu não sei que não sei

Exemplo: Eu pensar que as pessoas publicam coisas na Internet apenas pra compartilhar, até aprender sobre os princípios de marketing :).

  1. Incompetência Consciente

Eu sei que não sei

Você vai para a sua primeira aula de direção e começa a ver o quanto tem que aprender.

Esta fase pode trazer uma falta de confiança, autojulgamento e frustração. Este é o ponto em que muitas pessoas tendem a desistir.

Coaches e professores têm um papel importante neste momento, já que podem motivar, ajudando a pessoa a mudar sua visão para a meta em vez do problema. Além disso, prática e repetição são necessárias.

  1. Competência Consciente

Eu sei que eu sei

Agora você aprendeu a dirigir, mas ainda está atento a cada passo que você tem que dar para manter o carro em movimento.

  1. Competência Inconsciente

Eu não sei que eu sei

Este é a fase em que você está confortável dirigindo. Você pode dirigir e falar, e nem sequer pensa no que está fazendo.

Todos estes níveis de aprendizagem envolvem confiança e habilidade: quando um falta, o outro é necessário.

Possível 5ª Etapa

  1. Competência Consciente da Competência Inconsciente

Este estágio não foi originalmente pensado por Burch, mas tem sido discutido por especialistas, e eles têm variações na forma como eles entendem.

Pode envolver ensinar a outros o que você já dominou (como assobiar, por exemplo), e estar ciente das limitações da outra pessoa, bem como da didática necessária para explicar algo que você faz automaticamente.

Lembro-me de uma vez em uma aula de Filosofia em inglês, em que eu estava questionando uma frase. Meu professor e colegas vieram com todos os argumentos filosóficos possíveis, até que alguém percebeu: “Você sabe que em inglês a palavra “for” (por, para) também pode ser usada como” porque “, certo?

Ou seja, ninguém na classe poderia imaginar que esta era a minha dúvida, porque o uso dessa linguagem para eles estava no domínio da competência inconsciente.

Esta fase também pode ser aplicada a um nível de conhecimento onde você não pode sequer imaginar que é capaz de fazer algo melhor do que você faz. Businessballs publicou um artigo muito bom sobre isso, fornecendo as opiniões de muitos especialistas sobre o que eles entendem que é o 5 º nível.

A ignorância incapacitante de Peter Druck

Na etapa nr. 30 dos 67 Steps, Tai Lopez fala sobre os pensamentos de Peter Druck sobre “identificar as áreas onde a arrogância intelectual causa ignorância incapacitante”.

Voltando ao tema deste artigo: quando você sabe que é tempo para abandonar suas crenças, seus conceitos, coisas que você domina, e abrir-se a novos conhecimentos e experiências?

Claro que não há uma resposta certa para esta pergunta que se encaixa a todos, mas eu diria que a conscientização é a principal ferramenta aqui. E todos nós temos o instinto para saber quando algo não está certo.

Eu acho que isso exige uma certa dose de humildade também – o momento em que você diz: “Ok, meu jeito não é mais o melhor”, ou dizer: “preciso de um mentor”.

Lopez falou em outra lição sobre a importância de mudar antes que seja tarde demais.

Uma das 25 Tendências Cognitivas introduzidas por Charles Munger é a consistência, que se refere à nossa relutância em mudar. Este comportamento serviu aos nossos antepassados para, entre outras coisas, evitar a inconsistência e poupar energia, mas não nos serve mais hoje.

Agora que o ano está chegando ao fim, este poderia ser um bom exercício. O que você precisa rever? O que você percebe que não conhece bem ou não domina? Que crenças não estão servindo seus melhores interesses mais?

Na verdade, quando foi a última vez que você verificou suas crenças?

Se quiser verificar como um Coach pode ser útil em relação a isto, entre em contato neste link.

Aqui você pode se inscrever para receber o meu boletim informativo com artigos semanais.

Clique aqui para continuar a ler outros artigos sobre os 67 Steps – Uma Viagem para Reprogramar o Seu Cérebro.

 


Dulcineia Alcock é Life Coach, certificada pelo NeuroLeadership Group em Londres.

info@highpeakcoaching.com

agosto 01 2017 0comment

CRÔNICA – Só assuma novas responsabilidades se estiver preparado

Estamos iniciando mais um mês, então que tal tirar um tempinho para refletir sobre o seu desempenho profissional?

Suas metas estão saindo do papel?

Separamos uma crônica que, certamente, vai te ajudar a refletir.

“Conta uma antiga fábula que um camundongo viva angustiado com medo do gato. Então um mágico teve pena dele e o transformou em um gato. Mas como ele ficou com medo do cão, o mágico o transformou em uma pantera. Então ele começou a temer os caçadores.

A essa altura, o mágico desistiu. Voltou a transformá-lo em um camundongo e disse:

– Nada que eu faça vai ajuda-lo, porque você tem apenas a coragem de um camundongo.

Há pessoas assim como o rato medroso. Apesar de crescerem na empresa, assumindo cargos mais importantes, continuam medrosas, sentem-se inseguras e estão sempre postergando decisões importantes por medo de errar.

Antes de assumir cargos de maior responsabilidade, o qual exige agilidade e segurança de ações, analise bem a sua capacidade e autoconfiança.

Será que você está preparado para sair da fantasia de camundongo?”

 


Crônica retirada do livro “O que podemos aprender com os gansos – Ed Original”

 

julho 18 2017 0comment

CARREIRA – MBA em BIG DATA

As tecnologias tradicionais não são mais suficientes para lidar com o aumento do volume de dados nas empresas. Por isso, surgem, diversos cursos de capacitação para lidarem com o grande volume de dados. Se você está pensando em se especializar nesta área, esta dica é para você!

A FIAP está com inscrição aberta para o curso de MBA em BIG DATA.

O curso que tem duração de 12 meses, é voltado para analistas, coordenadores e gestores que querem utilizar os dados disponíveis no mundo digital, tanto na área de negócios quanto na área técnica de TI. Um dos objetivos garantidos é capacitar o aluno a estruturar dados não estruturados, extrair inteligência, visualizar e disponibilizar todos os dados adequadamente para melhorar o processo de tomada de decisão.

O MBA inicia em outubro de 2017 e tem 360hs em sua carga horária.

Informações: https://www.fiap.com.br/mba/mba-em-big-data/

Fonte: FIAP